ANIVERSARIANTES DO MÊS

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A PÁSCOA COMEÇA COM O LAVAR OS PÉS UNS AOS OUTROS

Embora muitos textos tentem nos mostrar a visão de Francisco de Assis sobre Deus e o mundo, um exercício interessante que podemos fazer é descobrir a visão da fraternidade dos frades menores que esses escritos nos mostram. Acho que se são Francisco previsse o tanto de imagens e representações que fariam dele no futuro, levaria um susto e perguntaria: “cadê meus irmãos?” Uma representação de Francisco, seja na estatuaria ou na iconografia, sem sua fraternidade não tem sentido, uma vez que ele ressalta que a partir do momento em que Deus lhe deu irmãos, nada mais lhe faltava. Imagens de Francisco solitariamente ecológico ou penitente não nos mostram a riqueza espiritual e vocacional da fraternidade franciscana. Quando vemos uma representação de Francisco com os primeiros frades, aí sim, reconhecemos o nosso santo.  A partir disso, sugiro que um bom material para este propósito, neste Tempo pascal em que estamos vivendo, é o texto presente no verbete “Páscoa” do Dicionário Franciscano.

Logo no começo encontramos a afirmação de que Francisco tirava da atmosfera dos dias do Tríduo pascal toda a inspiração de sua vida. Mas não era apenas uma descoberta para si mesmo, no desejo de imitar a Jesus, solitário; era um tesouro encontrado entusiasticamente partilhado com seus irmãos. De fato, a cena que conhecemos de Francisco moribundo querendo reviver com seus irmãos a última ceia, evidencia a unidade entre seguimento, imitação e fraternidade.

O texto do Dicionário franciscano, no verbete escolhido, com a cena de Jesus que lava os pés dos apóstolos, apresenta várias citações que culminam na proclamação de Jesus: “O filho do homem não veio para ser servido, mas para servir” (Mt 20,28). Francisco e seus frades serão chamados de os “menores”, não apenas um, mas todos eles “frades menores”, servos de todas as criaturas. “Não se conceda a nenhum irmão o título de prior; mas se chamem a todos indistintamente irmãos menores.” (Ad 4,2). “Por caridade de espírito, os frades se sirvam e se obedeçam reciprocamente: esta é a verdadeira obediência de nosso Senhor Jesus Cristo.” (RnB 5,18). Terminando essa parte sobre o lava pés o verbete completa: “A fraternidade franciscana é uma comunidade evangélica e não segundo o espírito do mundo. No momento em que os frades não fossem mais servos uns dos outros, não existiria mais nenhuma fraternidade”.

O verbete prossegue pondo o foco sobre como Francisco celebrava a morte de Cristo com seus frades. Ele a vive e a partilha com seus frades, através do Cântico das criaturas. Surge a visão da fraternidade sobre ela. A fraternidade aprende a viver com intensidade a morte como um momento de encontro: “Ele se fez colocar nu sobre a terra nua para poder naquele momento lutar nu com um adversário nu.” (2Cel 214), “Bem venha, mia irmã morte” (2Cel 217). A fraternidade dos irmãos menores aprende a por suas raízes em Deus, acreditando na morte como uma Páscoa do mundo para Deus. Viver a nudez do Cristo crucificado até os estigmas: a fraternidade dos menores vai aprender a servir os crucificados e a se tornar um com eles: os leprosos, os bandidos, os miseráveis do mundo. Não para no rito e na memória celebrada, mas se orienta para tornar a vida e a opção pelos crucificados como a verdadeira celebração. Da contemplação do Mistério para a encarnação do Mistério.

A visão da fraternidade peregrina a exemplo da páscoa do povo de Deus rumo a pátria prometida, é o ponto seguinte. “Encontrando-se num dia de Páscoa em um eremitério (Greccio) ele pediu esmolas aos seus frades como um pobre peregrino, em memória daquele que quis aparecer em forma de peregrino aos discípulos que andavam a Emaús. Ele recebeu suas esmolas com humildade, depois lhes mostrou, segundo as Sagradas Escrituras, que eles mesmos eram os hebreus verdadeiros que atravessaram o deserto deste mundo como peregrinos e forasteiros, e que deveriam manter constantemente um espírito de pobreza e celebrar a Páscoa do Senhor, isto é,  passar deste mundo ao Pai.” (LM 7,9). Daí a vivência da Páscoa como uma constante contemplação e ação missionária da fraternidade dos menores, donde vem tirada a assimilação dos frades aos mais pobres, aos desprotegidos, aos caminhantes e aos errantes, mas como aqueles que, em fraternidade, sabem onde vão chegar.

O verbete, que é muito breve, se completa com o “cantar a vitória do Crucificado”. A citação é do Ofício da Paixão, nas horas do Domingo da Ressurreição, a fraternidade dos menores vem convidada a cantar um canto novo, o cântico do Cordeiro imolado para nossa salvação, inaugurando um mundo novo, o mundo de Deus no nosso mundo. A ressurreição que nos faz emergir, em Cristo, como uma nova criação. Num conjunto harmonioso com a ascensão do Filho ao Pai e o envio do Espírito Santo ao mundo, os salmos envolvem os irmãos numa contemplação do destino final desejado e, desde já, possuído.
O exercício da leitura dos textos franciscanos sob a lente da fraternidade com Francisco, põe a luz sobre a santidade na fraternidade dos irmãos, sobre um Francisco mais Leão, mais Rugiero, mais Masseo, mais Ângelo, mais Antonio, mais Benedito, mais Clara, mais Izabel, mais eu, mais você.
Tenham todos e em fraternidade uma Santa e feliz Páscoa!

Frei Flaerdi Silvestri Valvassori, ofm
Ministro Custodial

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Com certeza você já ouviu falar de nós. SOMOS OS FRANCISCANOS, os irmãos menores. Com estas três palavras quase que lhe dissemos tudo: somos seguidores de Jesus Cristo ao modo de São Francisco de Assis; procuramos ser irmãos de todos, homens e mulheres, crianças e adultos, plantas e animais; e, além disso, com humildade, alegria e com poucas coisas materiais. Outra coisa que lhe convém saber, é que nós, franciscanos, trabalhamos nas mais variadas áreas, conforme as competências e formação de cada um e as necessidades da Ordem, da Igreja e do povo de Deus no mundo. Procuramos ser peregrinos e forasteiros, pacíficos e humildes, e assim vamos pelo mundo sem nada de próprio, trabalhando com fidelidade e devoção, conforme nos exigem as realidades e necessidades do nosso tempo. Seguindo os passos de Cristo pobre, humilde e crucificado, que reuniu os discípulos em torno de si e lhes lavou os pés.

Nós, frades menores, vivemos em fraternidade, no serviço e no dom recíproco. Queremos continuar anunciando a mensagem de Paz e Bem ao mundo na simplicidade e união fraterna.

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