ANIVERSARIANTES DO MÊS

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Caminhos da Missão – Parte V – Missão Cururu



Depois de terminarmos o ciclo de visitas na Comunidade Mulata e também nas comunidades circunvizinhas, onde Celebramos a Festa da Páscoa e visitamos as famílias, saímos de Monte Alegre e fomos participar do Mutirão de Visitas ás Aldeias Munduruku, promovido pela Custódia São Benedito da Amazônia, em comemoração ao Centenário da presença dos Frades Franciscanos e das Irmãs da Imaculada Conceição, entre o povo Munduruku.
Saímos de Monte Alegre, as 5H50 da manhã do dia 2 de maio, rumo a Santarém, onde nos juntamos com mais 13 missionários. Partimos do Porto de Santarém às 13h00, de lancha até Itaituba-PA, onde chegamos ás 21h00. Fomos recebidos pelo Bispo desta Prelazia, Dom Wilmar Santin, pelos Frades Franciscanos e pela Comunidade Sant’Ana, que nos prepararam um jantar.
No dia seguinte, participamos da Missa de Envio, presidida por Dom Wilmar, e somou ao nosso grupo mais alguns missionários, chegando a um total de 36. Após um caloroso café da manhã esperamos o ônibus que nos levou até Jacareacanga, neste momento começou o teste de paciência dos missionários, porque a previsão de saída era às 10h00 e devido a um problema mecânico houve um atraso de 4h, tudo resolvido fomos para nosso destino, nossa viagem seguiu pela Trans-Amazônica. Nesta época chove muito na Amazônia e para alegria dos missionários ocorreu alguns contratempos: em alguns pontos da estrada o ônibus ficou atolado e em outros o pneu furou. Sendo assim chegamos no destino ás 2h00 da madrugada, a comunidade estava nos esperando com um jantar, mas como nos atrasamos muito eles guardaram tudo e foram dormir; depois aos poucos todos foram sendo novamente acordados para nos acolher em suas casas.
Depois de tantas emoções a missão estava só começando. Em Jacareacanga estávamos todos os missionários reunidos, então o Frei Paixão e o Frei João Gierse nos passou a História do Centenário da Missão e discutimos alguns projetos do Governo, como a construção de hidrelétricas no Rio Tapajós, estes projetos vão atingir e muito na vida dos indígenas e de todos os povos da Amazônia e do Brasil. Sendo assim dividimos as equipes e saímos em missão; neste momento eu, Frei Reinaldo e o Frei João Antonio nos dividimos, e isto faz com que enriqueça ainda mais nossas experiências, pois vivemos emoções diferentes para depois compartilhar.
Antes de falarmos um pouco do que vivemos, queremos dizer que existem algumas coisas comuns em todas as aldeias, como: a linguagem (Munduruku); as aldeias já estão bem inculturadas na cultura do “branco”, mas conservam algo da sua cultura como a preparação da farinha, caçar, pescar, cultivam a roça e algumas danças. Andam de roupa, somente se vestem de índio nas festas. Há uma divisão dos trabalhos na aldeia: os homens caçam, pescam e plantam a roça; as mulheres cuidam das crianças, da casa, pegam lenha e capinam a roça.
Agora vamos ao que eu, Frei Reinaldo, viví nestes dias de muita emoção. Logo pela manhã do dia 4 a voadeira (barco rápido) com a minha equipe saiu do porto de Jacareacanga, navegamos 1h no Rio Tapajós e entramos em outro rio, chamado Kabitutu; percorremos mais 1h e chegamos na primeira aldeia, Jardim Kaburuá, deixamos dois missionários e seguimos viagem passando pelas aldeias Katô, Taperebá, Biribá e Porto, neste momento o relógio já marcava por volta das três da tarde e se completavam 8h de viagem. Depois desta aldeia não se podia continuar a viagem pela voadeira, era preciso ir andando pela mata. Eu e padre Paulo, ficamos na aldeia do Porto e outros três missionários seguiram pela mata caminhando por duas horas até chegar na aldeia Kaburuá. Enquanto eles caminhavam pela mata, eu e o padre Paulo, tentávamos fazer contato com os índios, pois eles não sabiam da nossa chegada, como aconteceu na maioria das aldeias. Quando nos viram aproximaram-se dois índios e um professor da aldeia para fazer a tradução da língua, explicamos o porquê da nossa visita e então eles fizeram festa, não compreendi muito bem o que falavam, mas penso que diziam “Paim  chegô!”; na língua deles, paim significa Frei/Padre. Eles tem um grande amor pelos frades e pela Missão, logo arrumaram um lugar para nos acolher e queriam falar com a gente, mas não entendíamos a língua; foi muito difícil no começo até que com a ajuda do professor organizamos uma reunião com eles onde foi possível acertar que iríamos fazer Batizados, Missa, Casamentos e Confissões. Estávamos preparando a Missa e um deles chegou ate nós com uma Bíblia traduzida na língua deles, todas as aldeias tem uma Bíblia assim;  celebramos a Missa, fazendo as leituras na língua deles e quando o padre  Paulo falava o professor traduzia, depois fizemos sete batizados e o padre atendeu uma confissão. Eles confessam na língua deles; o bispo deu a permissão para os padres de absolverem os pecados, mesmo que sejam ditos em Munduruku, porque nesta hora devemos confiar na graça de Deus, pois é ele quem perdoa os pecados.
À noite, eu tive uma grande surpresa na aldeia, havia um motor que gerava energia e em algumas casas possuíam televisão e todos ficavam atentos na novela. Então eu perguntei ao professor: “Eles não entendem o que eu falo, mas sabem o que diz a novela”, o professor me explicou que eles entendem um pouco, mas tem dificuldade para falar em outra língua porque falta estudo. Eles aprendem o básico e depois param, porque não tem como continuar os estudos na aldeia; com alguma dificuldade poucos conseguem vaga na cidade ou em alguma outra aldeia onde o Governo ajudou a construir uma escola de Ensino Fundamental; e eles também têm muita vergonha de falar com o branco, principalmente as mulheres.
No outro dia, eu e o padre, fomos juntos com um índio conhecer um garimpo de ouro, andamos 2h na mata e chegando lá vi muita destruição, as pessoas vivem de maneira precária para conseguir algumas gramas de ouro, porém o que o índio queria nos mostrar é que o garimpo esta dentro das terras do índio ou seja, eles não estão respeitando as desmarcações de terra e ainda oferecem ouro para o índio ficar calado.
Bom, voltamos para a aldeia, descansamos e no outro dia, pela manhã voltamos para cidade. Prosseguindo a missão fui para uma aldeia chamada Sai Cinza, esta é uma aldeia de referência para outras, moram lá 150 famílias e funciona uma escola de Ensino Fundamental, eu me senti em uma universidade. Nesta aldeia foi mais fácil de falar com eles porque os jovens estudavam o português, fizemos 96 batizados e 18 casamentos e na janta eles nos serviram uma cotia. No outro dia, logo depois do café, às 7h30 nos despedimos da aldeia e seguimos viagem pelo Rio Tapajós passando pelas aldeias Monte Alegre, Boca das Piranhas, Traira e São Lourenço, em cada uma destas aldeias havia dois missionários que se juntaram a nós e seguimos para o Rio Cururu, o último rio de nossa missão. Nesta altura da viagem era por volta de 13h, já tínhamos comido muitas bolachas e a fome ainda era grande, olhávamos a nossa volta e só enxergávamos água e mata, foi então que o piloto nos disse que faltavam duas horas e meia para a próxima aldeia e que por sinal onde eu iria ficar junto com o Frei Sebastian da Argentina e os outros continuariam viagem. Resolvemos fazer uma refeição mais forte, as bolachas não sustentavam mais, pegamos uma tapawer, abrimos três latas de sardinhas, misturamos com farinha e comemos com as mãos mesmo e isto aliviou um pouco a fome.
Foi então que depois de 9h, chegamos na aldeia do Frexal, eu e Frei Sebastian descemos e os outros continuaram. Nesta aldeia havia apenas 4 famílias, lá somente celebramos a Palavra e o fato de ser uma aldeia pequena ajudou para que nós pudéssemos vivenciar melhor a cultura e conhecer o dia a dia da aldeia. Eles acordam às 5h da manhã, tomam banho no rio, as mulheres fazem o café; os homens tomam primeiro e depois as mulheres. Elas lavam a louça e fazem outro café para deixar para visitas tomarem durante o dia.
O índio não tem o costume de almoçar e jantar (igual o branco), eles não estocam muita comida, caçam e comem ate a caça acabar, depois caçam de novo. No dia em que estava nesta aldeia aconteceu uma caça, eu muito curioso fui atrás para ver, não vi muita coisa porque eles são muito rápidos e eu fiquei para traz, mas ouvia o barulho deles. Teve um momento que houve um silêncio e depois muita correria e tiros, então me assustei pois não sabia para que lado estavam, nem os índios e nem os tiros, se estavam em minha direção ou não. Fiquei quieto, logo os barulhos pararam, caminhei um pouco pela mata e vi um índio apontando para a caça morta, era um porco selvagem e uma anta, neste dia na aldeia a comida foi farta e saborosa. Depois dali seguimos para a Missão São Francisco do Rio Cururu. Agora o Frei João Antonio irá partilhar sua história. 

Conforme o Frei Reinaldo nos relatou acima, quando fomos para as aldeias, ficamos em “canoas” diferentes, porém cada um pode fazer uma experiência diferente para somarmos nas nossas partilhas de Vida. No dia 5 de maio, por volta das 7h30 da manhã, nossa voadeira saiu, cortando o Rio Tapajós e entrando no Rio das Tropas. Passamos pelas seguintes aldeias: São João, Bananal, Vila Nova, Nova Esperança, Caroçal, e em cada uma delas ficavam dois missionários. Meu companheiro de Missão foi o Frei Paixão e o Motorista da voadeira, o indígena Munduruku Arlindo; já eram 17h00, e ainda faltavam mais de duas horas para chegarmos à nossa aldeia, porém já estava ficando tarde, então resolvemos ficar na penúltima aldeia, chamada Igarapé Preto. Lá Celebramos a Eucaristia e foram feitos dois Batizados. No dia seguinte, levantamos bem cedo e fomos ao nosso destino, a última aldeia do Rio das Tropas, chamada PV – Posto de Vigilância. Em alguns trechos do rio, pude contemplar a exuberância da Floresta Amazônica, e também ver alguns lugares em que foi desmatada, inclusive vi muitos garimpeiros. Chegamos na aldeia PV as 9h38, Celebramos a Santa Missa e foram feitos cinco batizados. Almoçamos e retornamos a nossa viagem de volta para Jacareacanga. Passamos na Aldeia no Igarapé Preto, Caroçal, e passamos a noite na Aldeia Nova Esperança. No outro dia de manhã, com muita neblina, demos continuidade a nossa viagem, até que às 13h30 chegamos em Jacareacanga. No dia seguinte, dia 8 de maio, saímos por volta das 9h45, e passamos por lugares belíssimos, vimos jacarés, macacos, e muitas garças; enfrentamos trechos difíceis, com muitas pedras, passamos pela chuva e o rio estava agitado. As 13h10, descemos no estado do Amazonas, e almoçamos uma “farofada”, cada um dos missionários doou algum mantimento para fazermos uma “farofa-comunitária”. Depois do almoço, navegamos alguns metros, quando fomos acometidos por um imprevisto: a palheta da nossa voadeira estava danificada, e tivemos que passar a noite na casa da Dona Maria Iva e do Sr. Francisco, que nos acolheram muito bem. De manhazinha, Frei Paixão e Arlindo, fizeram contato com outra aldeia através do rádio amador, pedindo para seu Manelão, que trouxesse uma peça reserva da voadeira para nós. Passada algumas horas, chegou o Manelão com a peça e pudemos seguir a viagem, já eram 9h57. E passamos nas seguintes aldeias deixando os missionários: Primavera/Santa Cruz, Mayrowi, Bom Futuro, Papagaio e Teles Pires. Frei Paixão, eu e Arlindo, chegamos na aldeia Teles Pires eram 17h00, e recebemos uma calorosa acolhida. Confesso que me senti muito bem nesta Comunidade. À noite, fizemos a preparação das crianças para Primeira Eucaristia, e o Frei Paixão as confessou; eram mais ou menos 40 crianças e adolescentes. No outro dia, tomamos café com o Cacique Anacleto, e os índios. Todos os dias de manhã, os homens se reúnem em um barracão da Comunidade, bebem café ou caxiri e conversam os assuntos referentes à Aldeia. No café da manhã eles comem batata doce, ou bolacha, ou biju de farinha, e bebem café ou caxiri, uma bebida feita com farinha, caldo de cana e batata doce ou banana; é uma bebida fermentada, bem forte e sustenta bastante. Ás 9h30 iniciamos a Celebração Eucarística, com as Primeiras Eucaristias e um casamento; depois da Missa foram feitos 28 batizados. Fiquei maravilhado quando ouvi os cantos da Missa, pois havia algumas músicas que eles cantavam na língua própria deles, era lindo demais. À noite, tive um encontro com o Grupo de Jovens dessa Aldeia e juntos refletimos sobre os caminhos da juventude no mundo de hoje.
No outro dia bem cedo, saímos da aldeia Teles Pires, e fomos buscar os nossos Irmãos e Irmãs missionários nas outras aldeias: Papagaio, Bom Futuro, Mayrowi e Barra. Com a voadeira cheia, demos continuidade a nossa viagem rumo a Missão São Francisco do Rio Cururu, porém passamos na Aldeia Restinga onde pegamos dois galões de combustível. Quando entramos no Rio Cururu, era bonito demais, as águas do rio eram um pouco avermelhadas, devido o reflexo do fundo, no entanto era uma água cristalina. Por volta das 16h30, conseguimos chegar na Missão Cururu, e fomos recebidos pelos guerreiros-indígenas Munduruku, eles estavam todos pintados, com cocar, arcos e flechas. Depois de uma longa e intensa viagem de mais ou menos 9h de voadeira, fomos descansar, mas na minha memória ficavam as lembranças dos lugares e das pessoas que conheci.
Nossa última parte da Missão, a minha equipe chegou primeiro, depois no dia seguinte chegaram às outras duas equipes, entre elas a do Frei Reinaldo, que levaram 10h de viagem até a Missão. Depois de todos descansados, partilhamos sobre o que vivenciamos nas visitas e à noite assistimos a algumas apresentações culturais.
No dia seguinte, despertamos com a alvorada, e seguimos para o momento de Mística de Celebração do Centenário da presença dos Frades Franciscanos e das Irmãs da Imaculada Conceição entre o povo Munduruku. Foi um momento realizado ao ar livre, de muita Fé e emoção. Os Paim (Frades e Religiosos) e as Irmãs, saíram carregando a parte vertical da Cruz; os indígenas Munduruku, saíram de outro lugar carregando a parte horizontal da Cruz; até que nos encontramos e formamos a Cruz. Nesta oração foram lembrados os Religiosos e Religiosas e os Caciques e Indígenas que contribuíram na construção da Missão.
A tarde ocorreu uma Assembleia entre os indígenas onde eles discutiram questões referentes aos projetos do Governo (Crédito Carbono e Barragens no Rio Tapajós), buscando alternativas para fortalecer a luta em defesa das Terras e da Vida dos Indígenas. Chegando a noite, aconteceu a Ordenação Diaconal do Frei Ulisses.
No outro dia enfrentamos 10 h de viagem no Rio Cururu e Tapajós até chegarmos em Jacareacanga. Tivemos 4 h de preparação das bagagens e descanso, e partimos para Itaituba ás 00h00, de ônibus pela Trans-Amazônica. Na viagem tivemos alguns contratempos e um pneu furado, e chegamos em Itaituba as 14h00, foi só o tempo de tomar um banho, comer alguma coisa e ir para o Barco Ana Beatriz III, que sairia ás 16h00 rumo a Santarém. Chegamos em Santarém por volta das 7h00, e fomos para o Convento São Francisco, terminando assim a nossa Experiência e Aventura na visita às aldeias e Missão Cururu.
Gostaríamos de agradecer ao Altíssimo, Onipotente e Bom Senhor, por nos conceder a oportunidade de participar desta Missão e pela graça da Vocação, onde a cada dia procuramos responder ao seu chamado, anunciando a Boa Nova do Evangelho à todos, pois “a finalidade da evangelização missionária é levar o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo aos povos ou as Comunidades que nunca ouviram a  Boa Nova, e ajudar os que aceitaram o Evangelho a construir uma Igreja particular.” (cf. CCGG, Art. 117, 2).
Um forte abraço,
Que Deus te abençoe e te guarde!
“Xipat”

Um comentário:

Kleber Oton Santos disse...

Caros Frades, ao ler esta crônica da vossa viagem pela missão com o povo Munduruku, logo passa um belo filme e uma enorme saudade de todos estes locais em que vocês mencionam, eu também tive a graça de vivenciar esta linda experiencia com este povo, sou muito grato a Deus por eu ter vivido tamanha graça de esta com os povos indígenas.
Xipat buré!

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